sábado, 20 de março de 2010

à distância ou a distância?
Segundo alguns gramáticos, deve haver crase em "à distância" apenas quando existe um complemento, como em "O muro está à distância de 200 metros da casa". Já quando se trata de expressões como "curso a distância", ou seja, sem qualquer complemento, como sinônimo de "não-presencial", de "ao longe", a crase não deve existir, dizem esses estudiosos.
Outros autores, porém, consideram "à distância" – sem complemento – uma locução da mesma categoria de "à vista", "à mão" e "à força", entre outras, o que justifica a presença da crase.
Diante da controvérsia entre os próprios gramáticos e demais estudiosos no campo das letras, concluimos ser a crase opcional – a Associação Brasileira de Ensino a Distância, por exemplo, não usa a crase, bem como muitos jornais; muitos escritores consagrados, por sua vez, já a usaram. Nossa preferência é pela presença da crase, inclusive para evitar eventuais ambiguidades, como na frase "Manteve-se a distância" – alguém se manteve a/à distância, ou a distância é que foi mantida?
 

sábado, 13 de março de 2010

Raios ultravioleta e raios infravermelhos

"Imagens mostram a mesma pintura do italiano Giotto feita na capela Peruzzi, em Florença, vista sem e com raios ultravioletas..."

O comportamento dos nomes das cores quanto à flexão merece algumas observações. Distinguem-se, no português atual, basicamente dois grupos: o de nomes de cores propriamente ditos (azul, verde, vermelho, amarelo, preto, branco etc.) e o de outros nomes, que, por extensão, designam cores (rosa, laranja, cinza, violeta etc.).

À primeira vista, pode o leitor não ter percebido a diferença entre uns e outros. O fato é o seguinte: os do primeiro grupo funcionam como adjetivos e, nessa condição, flexionam-se em gênero e número para concordar com os substantivos a que se referem (olhos azuis, camisas verdes, carro vermelho, casa amarela etc.), já os do segundo, originalmente substantivos, mesmo em função adjetiva, não sofrem flexão (camisas rosa, calças laranja, ternos cinza, vestidos violeta).

Aqueles termos que nomeiam outros seres, que não as cores propriamente ditas, ficam invariáveis (vários deles costumam ser antecedidos da expressão "cor de"), os que nomeiam as próprias cores variam em gênero e número. Assim: "dois ternos cinzentos" ou "dois ternos cinza" ("cinzento" é o nome da cor; "cinza" nomeia a cor, mas como extensão de seu sentido original, isto é, um "terno cinza", por exemplo, é um terno da cor da cinza). 

É esse o raciocínio que nos leva à distinção entre "raios ultravioleta" (sem plural, pois "violeta" é o nome original de uma flor, que, por extensão nomeia a cor) e "raios infravermelhos" (com a desinência "-s", de plural, em concordância com o substantivo "raios", pois "vermelho" é um nome de cor). 

Veja, abaixo, a correção: 

Imagens mostram a mesma pintura do italiano Giotto feita na capela Peruzzi, em Florença, vista sem e com raios ultravioleta...