Gêneros Textuais do Cotidiano
Se a intenção de um interlocutor é contar um fato, real ou fictício, ele optará por produzir um texto, verbal ou visual, que apresente, em sua estrutura,
o fato, as personagens que o viveram, o momento e a época em que o fato ocorreu.
Se a sua intenção é a de opinar sobre um fato, ele produzirá um texto que se organiza em torno de argumentos, pois sua finalidade é convencer seu interlocutor.
Se a intenção é a de instruir, ele indicará passo a passo o que deve ser feito para se obter um bom resultado.
Se a intenção for transmitir conhecimentos, o locutor deverá produzir um texto que exponha os saberes e seja capaz de construí-los de forma eficiente.
Assim, quando interagimos com outras pessoas por meio da linguagem, seja a linguagem oral, seja a linguagem escrita, produzimos certos tipos de textos que, com poucas variações, se repetem no conteúdo, no tipo de linguagem e na estrutura, constituindo os chamados Gêneros Textuais.
O gênero textual é uma espécie de "ferramenta" que utilizamos em determinadas situações de comunicação. Sua escolha é feita de acordo com diferentes elementos que participam do contexto, como quem está produzindo o texto, para quem, com que finalidade, em que momento histórico, etc.
Os gêneros textuais do cotidiano são:
01. O postal
02. A carta pessoal
03. A receita
04. O texto de campanha
05. O cartaz
06. O relatório
07. O texto narrativo
08. O texto descritivo
09. A fábula
10. O depoimento
11. O texto teatral
12. O texto argumentativo oral em debates
13. O texto argumentativo escrito
14. A notícia
15. A entrevista
16. A reportagem
17. O texto publicitário
18. A carta persuasiva do leitor
19. A crítica
20. O editorial
21. A crônica
22. A crônica argumentativa
23. O conto
24. O roteiro de cinema
25. O roteiro de vídeo
26. O manifesto
27. O abaixo-assinado
28. A carta aberta
29. A carta argumentativa de reclamação
e solicitação
30. O texto de apresentação científica
31. O texto dissertativo
O cartão-postal
Mais conhecido por "postal" é geralmente utilizado por turistas para dar, por meio da ilustração, uma idéia do lugar que está visitando e, ainda, enviar a parentes e amigos uma mensagem rápida com suas impressões sobre a viagem, os passeios, os novos amigos, etc. por esse motivo costuma ser escrito em linguagem informal.
Atualmente, é comum a utilização do "postal" com outras finalidades: promover um produto novo, fazer um convite para o lançamento de um livro ou para um vernissage, dar um recado, fazer um agradecimento, etc. Nesses casos, a imagem pode ser a do produto anunciado, uma reprodução da capa do livro a ser lançado ou de uma pintura ou escultura a ser mostrada, reproduções de obras de arte, etc.
1. mensagem rápida, geralmente sobre impressões de viagens;
2. ilustrado com imagens em um dos lados; do outro, espaço para texto e endereço do destinatário;
3. texto curto;
4. assunto livre;
5. apresenta vocativo e assinatura;
6. verbos geralmente no presente do indicativo;
7. linguagem varia de acordo com os interlocutores, podendo estar entre o coloquial, o casual ou o informal.
A carta pessoal
Trata-se de um gênero textual que utilizamos quando queremos no comunicar com amigos e familiares, dando notícias, tratando de assuntos de interesse comum, de forma mais longa e detalhada. A carta, assim como o postal, o cartão, o telegrama, trata de assuntos particulares, empregando uma linguagem formal ou informal, culta ou popular, dependendo da intimidade entre a pessoas que se correspondem.
Aquele que envia a carta é o remetente; aquele a quem a carta se destina é o destinatário.
Esse tipo de correspondência apresenta um estrutura que, normalmente, se compõe de local e data, vocativo ou introdução, texto e assinatura.
Curiosidade:
No livro O amor nos tempos do cólera, do escritor colombiano Gabriel Garcia Márquez, a personagem Florentino Ariza, apaixonada por Fermina Daza, declara seu amor numa carta de sessenta folhas escritas dos dois lados. Na hora de enviá-la, entretanto, ele a substitui por um simples bilhete: " Você quer namorar comigo? ".
Características da carta pessoal
1. comunicação geralmente breve e pessoal, de assunto livre;
2. sua estrutura é composta de local e data, vocativo, corpo e assinatura; às vezes, também de P.S. ( post-scriptum),
3. a linguagem varia de acordo com o grau de intimidade entre os interlocutores, podendo ser menos ou mais formal, culta ou coloquial, e, eventualmente, incluir gírias;
4. verbos geralmente no presente do indicativo;
5. quando enviada pelo correio, a carta é acondicionada em um envelope, preenchido adequadamente com o nome e o endereço do remetente e do destinatário.
A receita
É um gênero textual que apresenta duas partes bem definidas - ingredientes e modo de fazer -, que podem ou não vir indicadas por títulos. A primeira parte apenas relaciona os ingredientes, estipulando as quantidades necessárias, indicadas em gramas, xícaras, colheres, pitadas, etc.
No modo de fazer, os verbos se apresentam quase sempre no modo imperativo ( o modo verbal que expressa ordem, conselho, etc.), pois essa parte indica, passo a passo, a seqüência dos procedimentos e da junção dos ingredientes a ser seguida para se obter o melhor resultado da receita.
Uma receita pode apresentar outras informações, como grau de dificuldade, tempo médio de preparo, rendimento, calorias, etc. Pode, ainda, conter dicas para decoração ou para variações.
Nesse gênero textual, costuma-se empregar uma linguagem direta, clara e objetiva, pois sua finalidade é levar o leitor ou o cozinheiro a obter sucesso no preparo do prato culinário
Também são receitas as bulas de remédio, instruções de jogos, manuais de funcionamento e de uso de aparelhos domésticos e de máquinas, prospectos de concursos, manuais do consumidor, guias de cidades, folhetos explicativos sobre prevenções de doenças e epidemias, etc. que empregam a forma que for mais conveniente para atingir sua principal finalidade: a de instruir o leitor.
Características da receita
1. contém título;
2. normalmente apresenta uma estrutura constituída de : título, ingredientes e modo de preparo ou de fazer;
3. no modo de fazer, os verbos geralmente são empregados no imperativo;
4. pode conter indicação de calorias por porção, rendimento, dicas de preparo ou de como decorar e servir, etc.
5. a linguagem é direta, clara e objetiva;
6. emprega o padrão culto da língua.
Curiosidade:
Receita de olhar
Nas primeiras horas da manhã
Desamarre o olhar
Deixe que se derrame
Sobre todas as coisas belas
O mundo é sempre novo
E a terra dança e acorda
Em cores de sol
Faça do seu olhar imensa caravela
PRODUZINDO A RECEITA
1. Se você é do tipo de pessoa que, vez ou outra, gosta de colocar um avental e preparar aquele seu prato culinário predileto para a família, escreva sua receita seguindo as características desse gênero textual, tire cópias e dê de presente para os amigos.
O texto de campanha comunitária
Esta modalidade de texto tem por objetivo esclarecer e orientar a população em geral e persuadi-la a colaborar. Sua estrutura é bastante variável. Costuma apresentar, entretanto, algumas partes e procedimentos essenciais, como: em que consiste a campanha, qual é o seu objetivo, o que se pode fazer para participar.
O título de um texto de campanha comunitária costuma ser chamativo, às vezes com intenção claramente persuasiva; outras vezes serve-se de outros recursos que despertam as curiosidades do leitor.
A linguagem, embora possa sofrer variações, normalmente é objetiva, clara e acessível a todo tipo de público e de acordo com o padrão culto da língua. Costuma, ainda, apresentar intenção persuasiva, principalmente na parte em que o texto pede a participação do interlocutor na campanha ou quando lhe dá instruções de como proceder para evitar uma doença, por exemplo, ou o desperdício de água ou energia elétrica.
Características do texto de campanha comunitária
1. objetiva esclarecer e orientar a população sobre uma campanha, além de pedir colaboração;
2. apresenta título chamativo, comumente persuasivo;
3. é geralmente ilustrado;
4. apresenta estrutura variável, porém normalmente esclarece em que consiste a campanha, qual é sua finalidade, o que fazer para participar;
5. a linguagem geralmente é clara, objetiva e persuasiva, de acordo com o padrão culto da língua;
6. emprega as funções referencial e conativa, conforme seu objetivo;
7. usa verbos no imperativo.
O relatório
Trata-se de um gênero textual que tem por objetivo expor a investigação de um fato estudado, de um acontecimento ou de uma experiência científica. O assunto escolhido determina a presença ou não de descrições de objetivos, de enumeração de material, de documentos de prova, etc. Um relatório divide-se, normalmente, em três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão.
Na introdução, deve constar a indicação do assunto, a experiência feita, ou o fato investigado e seus objetivos. Sendo o trabalho realizado em equipe, devem constar os nomes das pessoas que o realizaram, bem como a especificação da tarefa de cada um.
No desenvolvimento, deve constar o relato minucioso do fato investigado. É também, a parte em que se levanta a hipótese, relata-se como e o que se fez e se transforma em tabela o que se observou. Dependendo do assunto, essa parte do relatório deve conter as datas de início e término da experiência ou da investigação do fato, o local de sua realização, os procedimentos e métodos empregados e a discussão do assunto.
Finalmente expõe-se a conclusão a que se chegou depois da investigação do fato ou da experiência. Dependendo do fato investigado, por exemplo, a conclusão admite que se recomende a adoção de medidas relacionadas a ele.
A apresentação de um relatório depende do assunto e de quem o pede. Em alguns casos, o relatório pode seguir um roteiro preestabelecido, exigir determinado número de páginas e, às vezes, até uma apresentação, como, por exemplo, uma folha de rosto, uma sinopse, introdução, desenvolvimento, conclusão e anexos.
Características do relatório
1. tem por objetivo expor a investigação de um fato, de um acontecimento ou de uma experiência científica;
2. pode servir-se de descrições, de enumerações, de exposições de narrativas, de relatos de fatos, de gráficos, de estatísticas, etc.;
3. pode ou não seguir um roteiro preestabelecido;
4. apresenta, normalmente, introdução, desenvolvimento e conclusão;
5. em alguns casos pode apresentar outras partes, como folha de rosto, sumários e anexos;
6. a linguagem é precisa e objetiva, de acordo com o padrão culto e formal da língua; admite, no entanto, a pessoalidade.
PRODUZINDO O RELATÓRIO
1. Escreva um relatório sobre:
- Os efeitos do consumo desnecessário de água.
- Por que reduzir o consumo de água.
- Quanta água consumimos diariamente em casa.
- Dicas para economizar água.
- Campanhas de redução de consumo de água.
O texto narrativo
O texto narrativo apresenta fatos em seqüência e decorrentes de uma relação de causa e efeito, isto é, um fato causa um efeito, que dá origem a outro fato, e assim por diante.
No texto narrativo, os fatos são vividos por personagens em determinado lugar e tempo. Quem conta a história, no texto narrativo, é o narrador, que diante dos fatos, pode assumir duas perspectivas fundamentais, isto é, duas formas de vê-los: o de narrador-personagem (emprega verbos e pronomes na 1a. pessoa) ou de narrador-observador (emprega verbos e pronomes na 3a. pessoa).
Características do texto narrativo
1. apresenta fatos em seqüência, numa relação de causa e efeito;
2. os fatos são vividos por personagens, em determinado tempo e lugar;
3. apresenta um narrador que, diante dos fatos narrados, pode assumir dois pontos de vista: o de narrador-personagem ou o de narrador-observador.
O texto descritivo
Quando produzimos um texto narrativo, oral ou escrito, dificilmente deixamos de incluir um trecho descritivo, a fim de tornar os fatos mais ricos para o ouvinte ou para o leitor.
Descreve-se física e psicologicamente a personagem, os lugares, os objetos, as cenas, etc., com o objetivo de dar ao leitor uma imagem mais viva e detalhada da história narrada.
Características da descrição
1. caracteriza, por meio de imagens ou de palavras, seres e lugares;
2. emprega adjetivos, locuções adjetivas, verbos de estado e orações adjetivas;
3. emprega geralmente verbos de estado, normalmente no presente e no imperfeito do indicativo;
4. estabelece comparações;
5. faz referências às impressões sensitivas: cores, formas, cheiros, gostos, táteis, sons, etc.
A Fábula
É o gênero narrativo que transmite um ensinamento por meio de uma história. As personagens são quase sempre animais: ursos, galos, gatos, raposas, lebres, rãs, formigas, etc. A narrativa costuma ser curta e é comum o diálogo entre as personagens. Depois da história, apresenta uma moral, ou seja, uma frase que sintetiza a idéia principal do texto e encerra uma lição.
A moral aprece em destaque no final do texto e reproduz, geralmente, um provérbio - uma sentença de caráter prático e popular, comum a um grupo social, expressa de forma bastante reduzida. Embora as origens das fábulas remontem à tradição oral, a linguagem empregada é geralmente a culta formal. Por ser um gênero narrativo bastante popular, a estrutura da fábula tem servido a muitas versões e re-escrituras, atualmente.
Assim, é possível que nas fábulas modernas, tenham elas intenção humorística ou não, a linguagem empregada seja mais informal ou coloquial.
Características da fábula
1. gênero narrativo que transmite um ensinamento;
2. as personagens quase sempre são animais;
3. a narrativa é curta, geralmente um diálogo;
4. no final da história, destaca-se uma moral;
5. emprega normalmente a linguagem culta e formal ou a coloquial, dependendo da intenção do autor;
6. empregam-se geralmente verbos no pretérito perfeito e imperfeito do indicativo nos trechos que pertencem ao narrador, e presente do indicativo na fala das personagens.
O depoimento
Trata-se de um tipo de narrativa em que uma pessoa relata episódios marcantes de sua vida pessoal. No depoimento sempre há uma intenção pedagógica, isto é, uma lição de vida, algo a ser aprendido por outras pessoas que passaram ou não por experiências semelhantes.
O depoimento pode também mostrar o lado desconhecido de um acontecimento trágico: um acidente que tenha envolvido muitas pessoas, um ataque à bomba num prédio, uma guerra, etc. Nesses casos, os depoimentos passam a ser importantes documentos históricos, pois constituem testemunhos verdadeiros de algo que foi vivido pessoalmente, servindo como alerta contra horrores da guerra, por exemplo, e como apelo ao bom senso.
Além de apresentar os elementos essenciais de um texto narrativo - fatos, pessoas, tempo, lugar -, tem como narrador o protagonista, isto é, a pessoa mais importante da história. A linguagem pode variar de acordo com o órgão que veicula o depoimento, mas geralmente ela se apresenta no padrão culto formal da língua.
Características do depoimento escrito
1. narra fatos reais vividos por uma pessoa e suas conseqüências;
2. tem uma intenção pedagógica;
3. apresenta elementos básicos da narrativa: seqüência de fatos, pessoas, tempo e espaço;
4. o narrador é o protagonista;
5. verbos e pronomes são empregados predominantemente na 1a. pessoa; os verbos oscilam entre o pretérito perfeito e o presente do indicativo;
6. geralmente emprega o padrão culto formal da língua.
PRODUZINDO O DEPOIMENTO
1. Se você viveu ou presenciou um fato marcante (por exemplo, enchentes, desabamentos, acidentes, etc.) e de acontecimentos graves, escreva sobre ele, dando o seu depoimento.
A notícia
Notícia é a expressão de um fato novo, que desperta o interesse do público a que o jornal se destina. Gênero textual tipicamente jornalístico, a notícia pode ser veiculada em jornais, escrita ou falada, e em revistas. Numa notícia predomina a narração. Mas os jornais não contam apenas o que aconteceu: eles vão além, informando também como e por que aconteceu determinado fato. Os elementos que normalmente compõem a notícia são: o quê (fatos); quem (personagens); quando (tempo); onde (lugar); como (enredo) e por quê (motivo).
A notícia apresenta geralmente uma estrutura padrão, composta de duas partes: o lead e o corpo.
Lead - é um relato sucinto dos aspectos essenciais do fato e consiste normalmente no primeiro parágrafo da notícia. Seu objetivo é dar informações básicas ao leitor e motiva-lo a continuar a ler a notícia.
Corpo - são os demais parágrafos da notícia, nos quais se apresenta o detalhamento no exposto no lead, sendo fornecidas ao leitor novas informações, em ordem cronológica ou de importância.
Toda notícia é encabeçada por um título, que anuncia o assunto a ser desenvolvido. A linguagem deve ser impessoal, clara, direta e precisa.
Características da notícia
1. predomínio da narração, com a presença dos elementos essenciais de um texto narrativo: fato, pessoas envolvidas, tempo em que ocorreu o fato, o lugar onde ocorreu, como e por que ocorreu o fato;
2. estrutura padrão composta de lead e corpo; no lead normalmente se encontram as respostas às seis perguntas básicas: o quê, quem, quando, onde, como e por quê;
3. predomínio da função referencial da linguagem;
4. linguagem impessoal, clara, precisa, objetiva, direta, de acordo com o padrão culto da língua.
A linguagem jornalística
A linguagem jornalística adota o padrão culto da língua, sem contudo perder de vista o universo vocabular do leitor. Exigem o emprego do domínio de palavras e o máximo de informação, correção, clareza e exatidão.
Para uma boa redação de textos jornalísticos, observe estes procedimentos:
- construa períodos curtos, com no máximo duas ou três linhas, evitando frases intercaladas ou ordem inversa desnecessária;
- adote como norma a ordem direta, elaborando frases com a seguinte estrutura: sujeito, verbo e complemento;
- empregue o vocabulário usual. Adote esta regra prática: nunca escreva o que você não diria. Termos técnicos ou difíceis devem ser evitados; se tiver que escrevê-los, coloque entre parênteses seu significado. Os termos coloquiais ou de gírias devem ser usados com parcimônia, apenas em casos especiais;
- nunca use duas palavras se puder usar uma só;
- evite os superlativos e adjetivos desnecessários;
- empregue verbos de ação e prefira a voz ativa pois estimulam mais o leitor.
PRODUZINDO UMA NOTÍCIA
1. Crie uma notícia a partir de uma tela de arte. Primeiramente invente as respostas às perguntas básicas (o quê, quem, quando, onde, como e por quê). Depois redija um lead ,
procurando escrevê-lo de forma a despertar o interesse de seu leitor (se achar que não ficou bom, refaça-o), e escreva o corpo da notícia, acrescentando novos dados.
A entrevista
A entrevista é um gênero textual que tem por finalidade colher opiniões de pessoas a respeito de um assunto ou de fatos em evidência no momento em que ela é realizada; pode também divulgar informações sobre a vida pessoal e profissional de uma pessoa de renome no meio artístico, cultural, científico, político ou religioso. Uma entrevista costuma ter por título um trecho da fala do entrevistado ou uma frase-síntese que revela a opinião do entrevistado. Abaixo do título, há, normalmente, um subtítulo que procura sintetizar o que foi exposto durante a entrevista. É comum haver também um texto mais extenso, em que o entrevistador coloca o leitor a par do assunto que será abordado ou apresenta o entrevistado, falando de sua vida pessoal ou de sua atividade profissional.
No texto da entrevista, costuma-se colocar o nome do entrevistador (ou do jornal ou da revista que ele representa) e do entrevistado antes da fala, a fim de que fique claro quando é um e quando é o outro quem está falando.
Entrevistar uma pessoa exige do entrevistador conhecimento da vida pessoal ou da atividade profissional do entrevistado e conhecimento do assunto a ser tratado na entrevista.
Características da entrevista escrita
1. tem por finalidade colher informações, depoimentos, opiniões, aspectos da vida pessoal ou profissional de pessoas de destaque nos meios artístico, cultural, político, religioso, etc.
2. estrutura: contém título e geralmente subtítulo e uma introdução; o texto da entrevista é propriamente organizado em perguntas e respostas;
3. apresentação do nome do entrevistado e do entrevistador antes da fala de cada um;
4. linguagem geralmente culta, podendo sofrer variações conforme as características do entrevistado, do jornal ou da revista e do público leitor; geralmente na transcrição são desprezadas as marcas de oralidade;
5. linguagem que procura reproduzir o ritmo da conversa;
6. emprega verbos predominantemente no presente do indicativo.
Como entrevistar bem
1. procure saber quanto tempo você terá para a entrevista; se forem poucos minutos, vá direto ao assunto e evite introduções desnecessárias;
2. antes de realizar a entrevista, informe-se sobre o entrevistado e o assunto;
3. não confie apenas na memória. Faça anotações e, se necessário, leve um gravador;
4. espere o entrevistado concluir o seu pensamento para fazer uma nova pergunta;
5. faça perguntas curtas e objetivas;
6. preveja respostas possíveis e prepare novas perguntas a essas respostas.
A reportagem
Embora a reportagem geralmente se inicie como a notícia - com um lead -, ela amplia o fato principal, acrescentando opiniões e diferentes versões. A reportagem não tem uma estrutura rígida. De modo geral, depois do lead, desenvolve-se a narrativa do fato principal, ampliando-a e compondo-a por meio de entrevistas, depoimentos, boxes com estatísticas, pequenos resumos, textos de opinião. Como todo texto jornalístico, a reportagem é sempre encabeçada por um título, que anuncia o fato em si; pode ou não apresentar subtítulo.
Na reportagem, emprega-se uma linguagem clara, dinâmica e objetiva, de acordo com o padrão culto da língua. Embora a linguagem seja impessoal, quase sempre é possível perceber a opinião do repórter sobre os fatos ou sua interpretação. Às vezes, o jornal ou a revista emprega uma linguagem mais informal, dependendo do público a que se destina.
Características da reportagem
1. informa de modo mais aprofundado sobre fatos que interessam ao público a que se destina o jornal ou revista, acrescentando opiniões e diferentes versões, de preferência comprovadas;
2. costuma estabelecer conexões entre o fato central, normalmente enunciado no lead, e fatos paralelos, por meio de citações, trechos de entrevistas, boxes informativos, dados estatísticos, fotografias, etc.;
3. pode ter um caráter opinativo, questionando as causas e os efeitos dos fatos, interpretando-os, orientando os leitores;
4. predomínio da função referencial da linguagem;
5. linguagem impessoal, objetiva, direta, de acordo com o padrão culto da língua.
Diferenças entre reportagem e notícia
Enquanto a notícia nos diz no mesmo dia ou no seguinte se o acontecimento entrou para a história, a reportagem nos mostra como é que isso se deu. Tomada como método de registro, a notícia se esgota no anúncio; a reportagem, porém, só se esgota no desdobramento, na pormenorização, no amplo relato dos fatos.
O salto da notícia para a reportagem se dá no momento em que é preciso ir além da notificação - em que a notícia deixa de ser sinônimo de nota - e se situa no detalhamento, no questionamento de causa e efeito, na interpretação e no impacto, adquirindo uma nova dimensão narrativa e ética. Porque com essa ampliação de âmbito a reportagem atribui à notícia um conteúdo que privilegia a versão. Se a nota é geralmente a história de uma só versão, a reportagem é por dever e método a soma das diferentes versões de um mesmo acontecimento.
O texto publicitário
A finalidade do texto publicitário é promover um produto e, principalmente, estimular e persuadir o interlocutor a consumi-lo. Sendo um gênero de natureza argumentativa, o texto publicitário apresenta argumentos para persuadir o interlocutor. Esses argumentos, direta ou indiretamente, estão relacionados com eventuais vantagens que o consumidor teria comprando o produto. Essas vantagens podem ser de ordem qualitativa, quantitativa ou ideológica, quando acena com valores.
O texto publicitário, geralmente, apresenta um texto verbal, apoiado por uma imagem - ou vice-versa -, que procura chamar a atenção do leitor ou do espectador.
A linguagem, geralmente, é enxuta e direta, a fim de estabelecer uma comunicação imediata com o público. Freqüentemente apresenta verbos no imperativo ou no presente do indicativo. O nível de linguagem costuma ser coloquial, mas pode ser menos ou mais formal, dependendo do público a que se destina e do veículo utilizado.
Os recursos para atrair a atenção do interlocutor são inúmeros e vão de grafias e letras diversificadas até ambigüidades e jogos de palavras, empregos de metáforas, metonímias, neologismos, etc.
Características do texto publicitário escrito
1. quase sempre constituído por imagem e texto;
2. linguagem persuasiva, direta e clara;
3. nível de linguagem de acordo com o público que se pretende atingir; geralmente a variedade culta informal da língua;
4. verbos geralmente no modo imperativo ou no presente do indicativo.
5. uso de recursos como figuras de linguagem, ambigüidade, jogos de palavras, provérbios, etc., como forma de atrair a atenção do público;
6. estrutura variável, mas em geral composta por:
a - título, que chama a atenção sobre o produto;
b - texto, que amplia o argumento do título;
c - assinatura, logotipo ou marca do anunciante.
O anúncio classificado
Diferentemente do anúncio publicitário, que é mais desenvolvido e conta com recursos visuais, o anúncio classificado é um pequeno texto de oferta ou procura de bens, serviços ou utilidades. Geralmente em formato pequeno e sem ilustrações, divulga de forma objetiva as informações essenciais para a compra, venda ou aluguel de imóveis, veículos, telefones, móveis, etc. ou mensagens de empregos ou serviços profissionais.
Como fazer um classificado eficaz
- seja direto e claro no seu texto;
- dê destaque ao seu produto ou serviço, colocando-os em negrito ou em letras maiúsculas;
- não exagera nas abreviações;
- coloque o máximo de informações sobre o produto;
- não se esqueça do preço;
- ponha nome e telefone para contato, incluindo horários disponíveis;
- instrua as pessoas que atenderão as chamadas dos interessados;
- verifique no jornal ou revista se a publicação do anúncio está correta.
PRODUZINDO O TEXTO PUBLICITÁRIO
1. Escolha um produto e escreva um anúncio publicitário para ele, de acordo comas características, a linguagem e os recursos próprios do gênero. Dê um título sugestivo ao anúncio.
A carta argumentativa do leitor
A carta do leitor apresenta um formato semelhante ao da carta pessoal: data, vocativo, corpo do texto, expressão cordial de despedida e assinatura. Apesar disso, é comum a imprensa publicar apenas o corpo da carta ou parte dela por falta de espaço.
A linguagem da carta do leitor varia de acordo com três elementos essenciais: a intencionalidade do texto; o perfil do jornal ou revista e o perfil do autor.
Quando o teor da carta diz respeito a uma matéria assinada, o leitor de se dirigir ao jornalista que a escreveu. Porém, se a carta disser respeito ao jornal como um todo ou a uma matéria não assinada, então o leitor deve se dirigir ao editor, representante legal da revista ou do jornal.
Características da carta argumentativa do leitor
1. expressa a opinião do leitor sobre os textos publicados em jornal ou revista;
2. tem intencionalidade persuasiva;
3. tem estrutura semelhante à da carta pessoal; data, vocativo, corpo do texto (assunto), expressão cordial de despedida e assinatura;
4. linguagem de acordo com o perfil do autor, da revista ou do jornal a que se destina, predominando o padrão culto formal da língua;
5. menor ou maior impessoalidade, de acordo com a intenção do autor.
A crítica
Trata-se de um gênero de texto de natureza argumentativa que visa informar o leitor sobre o lançamento de um produto, avaliando, ao mesmo tempo, sua qualidade e intencionalidade.
A fim de fundamentar seu ponto de vista, normalmente o crítico faz considerações gerais a respeito do autor ou criadores da obra ou produto; apresenta um breve histórico de sua criação e descreve trechos, detalhes ou cenas, ressaltando seus pontos negativos ou positivos. Também são feitas comparações com outras obras do mesmo autor ou de autores diferentes, do presente ou do passado. Assim a crítica tende a situar o objeto em análise no conjunto da tradição cultural e avaliar se grau de originalidade no contexto atual.
A linguagem varia de acordo com o perfil da revista ou jornal, do público leitor, do assunto e de quem escreve. Apesar disso, nos grandes jornais e revistas do país quase sempre predomina no gênero o padrão culto formal da língua. Pode haver marcas de pessoalidade na linguagem, embora tenda a predominar a impessoalidade.
Características da crítica
1. informa sobre o lançamento de um objeto cultural e avalia seus aspectos positivos e negativos;
2. tem intencionalidade persuasiva, que estimula ou não o público a consumir o objeto em questão;
3. estrutura relativamente livre; normalmente é introduzida por um pequeno histórico da obra, seguido de uma descrição de suas partes e de uma avaliação de seus aspectos mais significativos; geralmente são feitas comparações com outras obras do mesmo autor, ou com obras de outros autores e comentários sobre a importância da obra no contexto atual;
4. verbos predominantemente no presente do indicativo;
5. linguagem clara e objetiva, nível de linguagem e grau de pessoalidade / impessoalidade que variam de acordo com o veículo e com o público a que se destina.
O editorial
Trata-se de um gênero jornalístico que tem por finalidade expressar a opinião do jornal ou revista a respeito de um assunto polêmico da atualidade. Quanto à estrutura, o editorial se assemelha aos textos argumentativos em geral. Apresenta uma introdução, na qual se situa o problema ou se lança uma idéia principal; o desenvolvimento, formado por parágrafos que fundamentam o ponto de vista do jornal, e uma conclusão, na qual geralmente se fazem sugestões para a solução do problema ou se faz uma síntese das idéias gerais do texto.
A linguagem geralmente é objetiva e impessoal e faz uso do padrão culto formal da língua. As formais verbais ficam, predominantemente, no presente do indicativo. As estruturas frasais geralmente são complexas, apresentado períodos longos e relações de coordenação e subordinação.
Apesar de ser um texto opinativo e argumentativo, o editorial é normalmente escrito de modo objetivo e impessoal. O uso da 3a. pessoa, de verbos no infinitivo e da voz passiva contribui para impessoalizar a linguagem.
Características do editorial
1. expressa a opinião de um jornal ou revista a respeito de um assunto da atualidade, quase sempre polêmico;
2. tem a intenção de esclarecer ou alertar os leitores, alterar seu ponto de vista a respeito de algum assunto e mobilizá-los para uma causa de interesse coletivo;
3. estrutura convencionalmente organizada em três partes:
a - introdução
b - desenvolvimento
c - conclusão
4. desenvolvimento estruturado a partir de exemplificações, comparações, depoimentos, pesquisas e dados estatísticos, citações, retrospectivas históricas, etc.;
5. linguagem clara, objetiva e impessoal;
6. predomínio do padrão culto formal da língua;
7. verbos geralmente no presente do indicativo.
A crônica
A crônica é um gênero textual híbrido que oscila entre a literatura e o jornalismo, pois é o resultado da visão pessoal, subjetiva do cronista ante um fato qualquer, colhido no noticiário do jornal ou no cotidiano. Quase sempre explora o humor; às vezes, diz as coisas mais sérias por meio de uma aparente conversa fiada; outras vezes, despretensiosamente, faz poesia da coisa mais banal e insignificante. A crônica é quase sempre um texto curto, apressado, redigido numa linguagem descompromissada, coloquial, simples, muito próxima do leitor. Apresenta poucas personagens e se inicia quando os fatos principais da narrativa estão por acontecer. Por essa razão, o espaço e o tempo da crônica são limitados: as ações ocorrem num único espaço e o tempo, normalmente, corresponde a não mais que alguns minutos ou algumas horas.
A crônica admite narrador em 1a. e 3a. pessoas, isto é, o narrador pode participar dos fatos e refletir sobre eles como personagem ou ser observador daquilo que narra ou comenta. É comum haver também crônicas cujo narrador e ausenta; nesse caso, toda crônica se estrutura no discurso de duas ou mais personagens.
Características da crônica
1. geralmente é publicada em jornais e revistas;
2. relata de forma artística e pessoal fatos colhidos no noticiário jornalístico e no cotidiano;
3. consiste em um texto curto e leve;
4. tem por objetivo divertir ou refletir criticamente sobre a vida e os comportamentos humanos;
5. pode apresentar os elementos básicos da narrativa: fatos, personagens, tempo e lugar;
6. o tempo e o espaço são normalmente limitados;
7. pode apresentar narrador observador ou narrador-personagem;
8. linguagem geralmente de acordo com o padrão culto formal ou culto informal da língua.
A crônica argumentativa
Como os demais gêneros argumentativos, a crônica argumentativa também procura convencer o leitor de que o ponto de vista de seu autor a respeito de determinado assunto está certo. Diferentemente, entretanto, de um texto argumentativo comum, a crônica argumentativa revela uma visão pessoal, intimista e subjetiva da realidade.
A linguagem normalmente se apresenta criativa e figurada, com jogos de palavras, emprego de metáforas, ironias, trocadilhos, ambigüidades, etc. Nesse tipo de gênero, há uma verdadeira união entre a exposição de idéias e argumentos e o lirismo poético do autor.
Características da crônica argumentativa
1. tipo de gênero textual que reúne características de crônica e de texto argumentativo;
2. apresentação do assunto ou controvérsia a ser discutida, normalmente, no início do texto;
3. posicionamento do cronista sobre o assunto em questão;
4. exposição de argumentos que fundamentam o ponto de vista do autor;
5. conclusão surpreendente, criativa, ou conclusão-síntese, que retoma as idéias do texto e confirma o ponto de vista defendido;
6. tratamento subjetivo do tema, deixando perpassar a sensibilidade e as emoções do cronista;
7. linguagem criativa e figurada, geralmente de acordo com o padrão culto informal da língua.
O conto
Do mesmo que as notícias, as crônicas e as fábulas, o conto também apresenta os elementos essenciais de qualquer texto narrativo, como fatos em seqüência, personagens, espaço, tempo e narrador. O conto, entretanto, tem características estruturais próprias. É um tipo de narrativa mais concentrada. É o resultado de uma seleção rigorosa dos elementos que o compõem e da ênfase no essencial. Se comparado a gêneros como o romance e a novela, o conto é mais condensado: elimina as análises minuciosas de personagens e ambiente, as longas complicações de enredo e delimita o tempo e o espaço. Quanto à linguagem, emprega-se o padrão culto da língua.
Das narrativas orais à atualidade, o conto vestiu-se de inúmeras roupagens, inclusive assimilando recursos de outros gêneros textuais, resultando numa riqueza de tipos de difícil classificação.
Características do conto
1. narrativa concentrada e limitada ao essencial;
2. apresenta os elementos básicos da narrativa: fatos, personagens; tempo e lugar;
3. o enredo apresenta normalmente a seguinte estrutura:
a - apresentação;
b - complicação;
c - clímax;
d - desfecho;
4. número reduzido de personagens;
5. tempo e espaço bastante delimitados;
6. pode apresentar narrador-observador ou narrador-personagem;
7. linguagem predominantemente de acordo com o padrão culto, formal ou informal, da língua.
O abaixo-assinado
É um tipo de gênero textual que se produz quando uma pessoa ou um grupo de pessoas deseja fazer uma reivindicação, de caráter pessoal ou coletivo.
A estrutura do abaixo-assinado é simples: identificação, na forma de vocativo, da autoridade a quem é encaminhada o documento; corpo do texto, que consiste na apresentação do problema, seguido da reivindicação pretendida pelos assinantes, e dos argumentos, que justificam a solicitação feita. No fechamento do texto, local e data, seguido das assinaturas dos simpati
Cartas argumentativas de reclamação e solicitação
Os cidadãos em geral podem produzir esse tipo de carta sempre que necessitarem reclamar às autoridades de algum problema que os aflija, ou solicitar providências para a solução de um problema, ou, ainda, ao mesmo tempo reclamar de um problema e solicitar soluções para ele. De açor com o teor da carta, ela será carta argumentativa de reclamação, ou de solicitação,ou de reclamação e solicitação.
Por serem cartas, elas apresentam características próprias do gênero: local, data, vocativo, corpo do texto, expressão cordial de despedida e assinatura. No corpo do texto, é apresentado o problema e, em seguida, são expostos os argumentos e/ou sugestões. Os argumentos podem apresentar explicações, comparações, exemplificações, citações, etc., desde que fundamentem a reclamação ou solicitação.
A linguagem do texto deve ser clara e objetiva e estar de acordo com o padrão culto formal, em virtude da formalidade da situação - normalmente o interlocutor é uma autoridade. O remetente geralmente se coloca de modo direto no texto, fazendo uso da 1a. pessoa. As formas verbais comumente ficam no presente do indicativo.
Características das cartas argumentativas de reclamação e solicitação
1. texto de intenção persuasiva;
2. apresentam às autoridades competentes reclamações de um problema ou solicitação de soluções para um problema;
3. têm formato semelhante ao das cartas em geral;
4. têm como estratégia argumentativa mais comum: apresentação do problema, suas causas e conseqüências; exposição de argumentos capazes de comprovar que o remetente tem razão, por estar sendo desrespeitado em seus direitos, ou por não ver seus direitos atendidos, etc.;
5. linguagem clara e objetiva, de acordo com o padrão culto formal da língua, geralmente em 1a. pessoa;
6. formais verbais predominantemente empregadas no presente do indicativo;
7. pronomes de tratamento de acordo com o cargo ocupado pelo destinatário.
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